quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Consumo desordenado de eletrônicos ameaça o planeta

Empresas criam eletrônicos verdes, mas a pressão pela troca provocou 
o descarte de 157 milhões de máquinas em 2007
Por Juliana Rocha do Estadão

Apenas no ano passado 157 milhões de equipamentos de informática 
foram parar no lixo em todo o mundo, segundo a Agência de Proteção 
Ambiental dos EUA. Qual foi a sua participação nesse megadescarte?

"Não podemos mais sustentar um ciclo de consumo de eletrônicos tão 
acelerado", diz Richard Hodges, da GreenIT, consultoria americana 
para assuntos verdes que tem entre seus clientes gigantes como a 
Intel e a Cisco. "Essas máquinas deixam uma pegada de carbono por 
peso (unidade usada para mensurar as emissões de gás carbônico feitas 
desde a produção até o consumo e descarte de serviços e equipamentos) 
maior do que a de carros e geladeiras, que continuam em atividade por 
até 10 ou 20 anos."

Embora a indústria venha se esforçando para retirar de computadores, 
impressoras e celulares substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio e 
cádmio, a obsolescência planejada desses produtos a cada 12 ou 18 
meses é algo que precisa ser repensado. Será que realmente precisamos 
trocar de PC ou celular a cada um ano e meio ou dois anos?

Iza Kruszewska, coordenadora da campanha internacional do Greenpeace 
para a criação de eletrônicos verdes, explica que a obsolescência 
planejada é determinada por "tecnologias maliciosas, como o uso de 
baterias recarregáveis que não podem ser trocadas pelo 
consumidor". "Uma alternativa para aumentar a vida útil dos 
eletrônicos é o sistema de leasing. Os consumidores poderiam, ao 
invés de comprar um novo Dell, HP ou Acer, pagar uma taxa anual por 
serviços computacionais. Isso estimularia as empresas a criar 
produtos duráveis, baseados em design modular, no qual partes com 
defeito pudessem ser trocadas em separado e de maneira fácil", diz 
Iza.

Segundo Ricardo Kobashi, organizador do projeto Lixo Eletrônico 
(lixoeletronico.org), falta ao Brasil uma política para resíduos 
sólidos e ainda engatinhamos na discussão sobre a destinação de 
produtos que não queremos mais usar. "Enquanto há um grupo pequeno de 
pessoas dispostas a mudar seu comportamento de consumo, as empresas 
ficam silenciosas, esperando que a discussão sobre o meio ambiente 
morra", diz.

O publicitário Sergio Lima admite só ter adquirido "alguma 
consciência ambiental em relação aos eletrônicos há pouco tempo", 
após conhecer ONGs de inclusão digital. "Mas essa preocupação tem 
crescido. Em breve, empresas que não estiverem empenhadas em reduzir 
o impacto do lixo digital estarão fora do mercado."

Para João Carlos Redondo, gerente de sustentabilidade da Itautec, uma 
das mais antigas montadoras de PC nacionais – lançou sua primeira 
máquina em 1982 –, "ser verde é hoje um diferencial no setor de 
tecnologia da informação". "Investimos R$ 3 milhões entre 2006 e este 
ano para adequar nossa linha de produção aos padrões internacionais 
de performance ambiental", diz. "O aumento no preço final foi de 
cerca de 2%."

fonte: www.link.estadao.com.br 

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