Empresas criam eletrônicos verdes, mas a pressão pela troca provocou
o descarte de 157 milhões de máquinas em 2007
Por Juliana Rocha do Estadão
Apenas no ano passado 157 milhões de equipamentos de informática
foram parar no lixo em todo o mundo, segundo a Agência de Proteção
Ambiental dos EUA. Qual foi a sua participação nesse megadescarte?
"Não podemos mais sustentar um ciclo de consumo de eletrônicos tão
acelerado", diz Richard Hodges, da GreenIT, consultoria americana
para assuntos verdes que tem entre seus clientes gigantes como a
Intel e a Cisco. "Essas máquinas deixam uma pegada de carbono por
peso (unidade usada para mensurar as emissões de gás carbônico feitas
desde a produção até o consumo e descarte de serviços e equipamentos)
maior do que a de carros e geladeiras, que continuam em atividade por
até 10 ou 20 anos."
Embora a indústria venha se esforçando para retirar de computadores,
impressoras e celulares substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio e
cádmio, a obsolescência planejada desses produtos a cada 12 ou 18
meses é algo que precisa ser repensado. Será que realmente precisamos
trocar de PC ou celular a cada um ano e meio ou dois anos?
Iza Kruszewska, coordenadora da campanha internacional do Greenpeace
para a criação de eletrônicos verdes, explica que a obsolescência
planejada é determinada por "tecnologias maliciosas, como o uso de
baterias recarregáveis que não podem ser trocadas pelo
consumidor". "Uma alternativa para aumentar a vida útil dos
eletrônicos é o sistema de leasing. Os consumidores poderiam, ao
invés de comprar um novo Dell, HP ou Acer, pagar uma taxa anual por
serviços computacionais. Isso estimularia as empresas a criar
produtos duráveis, baseados em design modular, no qual partes com
defeito pudessem ser trocadas em separado e de maneira fácil", diz
Iza.
Segundo Ricardo Kobashi, organizador do projeto Lixo Eletrônico
(lixoeletronico.org), falta ao Brasil uma política para resíduos
sólidos e ainda engatinhamos na discussão sobre a destinação de
produtos que não queremos mais usar. "Enquanto há um grupo pequeno de
pessoas dispostas a mudar seu comportamento de consumo, as empresas
ficam silenciosas, esperando que a discussão sobre o meio ambiente
morra", diz.
O publicitário Sergio Lima admite só ter adquirido "alguma
consciência ambiental em relação aos eletrônicos há pouco tempo",
após conhecer ONGs de inclusão digital. "Mas essa preocupação tem
crescido. Em breve, empresas que não estiverem empenhadas em reduzir
o impacto do lixo digital estarão fora do mercado."
Para João Carlos Redondo, gerente de sustentabilidade da Itautec, uma
das mais antigas montadoras de PC nacionais – lançou sua primeira
máquina em 1982 –, "ser verde é hoje um diferencial no setor de
tecnologia da informação". "Investimos R$ 3 milhões entre 2006 e este
ano para adequar nossa linha de produção aos padrões internacionais
de performance ambiental", diz. "O aumento no preço final foi de
cerca de 2%."
fonte: www.link.estadao.com.br
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
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