ÁGUA CONTAMINADA POR URÂNIO PÕE EM RISCO POPULAÇÃO NO SERTÃO BAHIANO
Foto da cidade de Caetité, sertão da Bahia - 3ª maior produtora de
urânio do país Produção de urânio contamina água na Bahia, diz
Greenpeace
"Uma das amostras de água foi coletada de um poço artesiano a cerca
de oito quilômetros da mina e apresentou concentrações de urânio sete
vezes maiores do que os limites máximos indicados pela OMS e cinco
vezes maiores do que os especificados pelo Conama"
Estadão Online - 17/10/2008
Um relatório divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Greenpeace afirma
que a água utilizada para consumo humano na área da mina de urânio de
Caetité, no sertão da Bahia, está contaminada."Resultados (de
análises) comprovam que há contaminação por urânio na água usada para
consumo humano na área de influência direta da INB em Caetité",
afirma o relatório Ciclo do perigo: impactos da produção de
combustível nuclear no Brasil.
Segundo o Greenpeace, análises preliminares "mostram que pelo menos
duas amostras de água utilizada para consumo humano apresentam
contaminação por urânio muito acima dos índices máximos da
Organização Mundial da Saúde (OMS) e da legislação brasileira do
Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama)".
Essa mina de urânio é gerenciada desde 2000 pela estatal Indústrias
Nucleares do Brasil (INB), controlada pela Comissão Nacional de
Energia Nuclear (CNEN) e subordinada ao Ministério da Ciência e
Tecnologia, responsável pelo complexo de extração e produção do
yellow cake (concentrado de urânio), gerador do combustível para as
usinas nucleares brasileiras.
Procurada pela BBC Brasil, a INB informou, por meio de sua assessoria
de imprensa, que ainda não teve acesso ao relatório só irá se
manifestar depois de ter conhecer detalhes do documento.
O Ministério da Ciência e Tecnologia também informou por meio de sua
assessoria de comunicação que não iria se pronunciar sobre o
relatório.Amostras - As amostras foram coletadas em abril deste ano,
em um raio de 20 quilômetros, que é a "área de influência direta da
mina conforme definido no Estudo e Relatório de Impacto Ambiental
(EIA/Rima) do empreendimento", conforme a organização.
A análise foi feita por um laboratório independente no Reino
Unido."Uma das amostras de água foi coletada de um poço artesiano a
cerca de oito quilômetros da mina e apresentou concentrações de
urânio sete vezes maiores do que os limites máximos indicados pela
OMS e cinco vezes maiores do que os especificados pelo Conama", diz o
relatório.Essa amostra continha 0,110 miligramas por litro (mg/L) de
urânio, segundo o relatório. A OMS estabelece um limite de 0,015
mg/L, e o Conama, 0,02 mg/L.
O relatório diz que a ingestão contínua de urânio pode causar
diversos danos à saúde, "tais como a ocorrência de câncer e problemas
nos rins".
'Riscos conhecidos'
O Greenpeace afirma que os riscos de contaminação já eram conhecidos.
O documento diz que dados obtidos através de pesquisa
documental "revelam que os riscos de contaminação da água foram
apontados no EIA/Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) do
empreendimento, sendo, portanto, velhos conhecidos do INB e dos
órgãos licenciadores e fiscalizadores da atividade de mineração de
urânio, Ibama e Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)".
A organização afirma que, segundo moradores, "o INB colhe amostras em
intervalos regulares de 60 ou 90 dias para análises" e os habitantes
não receberam informações da empresa sobre a qualidade da água.
O Greenpeace também afirma que "os processos de licenciamento nuclear
e ambiental da INB em Caetité são controversos".Segundo o Greenpeace,
a exploração da mina foi licenciada pelo Ibama e pela CNEN em 2002,
mas "até hoje a INB não cumpriu a obrigação prevista no EIA/Rima e na
licença da operação do Ibama de monitorar a saúde dos trabalhadores e
da população que vive no raio de 20 quilômetros no entorno da mina".
O relatório diz ainda que a Autorização de Operação Inicial (AOI),
concedida pela CNEN, "foi renovada pelo menos seis vezes,
contrariando regras da própria comissão que permitem apenas duas
renovações da autorização provisória".
Segundo o Greenpeace, a INB "pretende dobrar sua capacidade anual,
chegando a produzir 800 toneladas de yellow cake por ano em
Caetité".O Greenpeace encaminhou a denúncia ao Ministério Público
Federal da Bahia.
A organização pede "uma investigação ampla e independente sobre a
qualidade da água e sobre as condições de saúde da população que vive
no entorno da INB para identificar a fonte exata e a extensão da
contaminação", além do fornecimento emergencial de água potável para
a população atingida.
A ONG pede ainda a "realização urgente, sob mandato do Ministério
Público Federal, de auditoria independente sobre a atuação da INB em
Caetité". (Fonte: Estadão Online)
Onde fica CAETITÉ
Caetité é um município brasileiro da Bahia, distante 757 quilômetros
da capital do estado, Salvador
Economia - Na pecuária destaca-se com um rebanho bovino com mais de
32 mil cabeças.
Na mineração conta com ricas jazidas de urânio, ametista, manganês e
ferro (esta descoberta no começo do século XXI.
A jazida ferrífera virá a ser explorada pela companhia mineradora
indiana instalada em joint-venture com o nome de Bahia Mineração
Ltda - BML.
O depósito conta com 4 a 6 bilhões de toneladas, e uma produção anual
estimada em cerca de doze milhões de toneladas anuais - a terceira
maior do Brasil.
Área 2.306,382 km²
População 48.525 hab. est. 2006
Densidade 21,0 hab./km²
Altitude 825 metros
Clima tropical
IPB - R$ 103.265.093,00 (Fonte: IBGE/2003)
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
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